Desinfecção, assepsia e antissepsia: guia prático e produtos 

Desinfecção, assepsia e antissepsia: guia prático e produtos 

Desinfecção, assepsia e antissepsia aparecem o tempo todo na rotina de clínicasconsultórios, hospitais e também no home care, mas nem sempre com os termos usados corretamente.  

E, nesse assunto, “termo errado” não é só detalhe: pode gerar prática inadequada, risco de contaminação e falhas de segurança

De forma bem direta: 

  • Antissepsia é uma ação voltada a tecidos vivos (pele/mucosas), com o objetivo de reduzir ou eliminar microrganismos. 
  • Assepsia é um conjunto de métodos para impedir a introdução de microrganismos em um ambiente/material estéril

Neste artigo, você vai entender as diferenças, exemplos práticos e o que costuma compor uma rotina de antissepsia/assepsia no dia a dia, incluindo itens comuns como álcool, clorexidina, iodopovidona, gaze, algodão, lenços e escovas. 

O que é antissepsia da pele, e por que muita gente chama de “assepsia” 

Quando o foco é pele ou mucosa, o termo mais adequado é antissepsia. Em linguagem técnica, antissepsia é o processo de eliminação ou redução de microrganismos em pele/superfícies/tecidos vivos. 

Exemplos comuns de antissepsia na prática clínica: 

  • preparo da pele antes de procedimentos invasivos (como punções, inserção de cateter, coletas); 
  • antissepsia das mãos (incluindo preparo pré-operatório em contexto cirúrgico); 
  • limpeza/antissepsia do campo ou da pele antes de pequenos procedimentos. 

Um exemplo bem objetivo e com protocolo brasileiro: no Protocolo de Prevenção de Infecção Primária de Corrente Sanguínea (Anvisa), o preparo da pele do paciente para inserção de cateter é descrito com clorexidina alcoólica, com tempo mínimo e técnica de fricção.  

Foto de uma pessoa fazendo esterilização de instrumentos em hospitais

O que é assepsia, e por que ela não é “sinônimo” de antissepsia 

Assepsia não é “passar um antisséptico na pele”. Assepsia é o conjunto de métodos para impedir a introdução de microrganismos em um ambiente/material que precisa permanecer estéril.  

Exemplos práticos de assepsia: 

  • manter integridade e manuseio correto de materiais estéreis (curativos estéreis, campos, luvas estéreis); 
  • técnicas para evitar contaminação de ampolas, conexões e dispositivos; 
  • barreiras e fluxos que evitam contaminação (ex.: campo estéril e técnica correta no preparo/uso). 

Em outras palavras: 

  • antissepsia atua no tecido vivo
  • assepsia protege a esterilidade do ambiente/material

E “desinfecção”? Onde ela entra nessa história? 

A desinfecção faz parte do mesmo ecossistema de prevenção de infecções, mas com alvos diferentes. 

De forma prática: 

  • Antissepsia: tecidos vivos (pele/mucosas). 
  • Desinfecção: superfícies e artigos/objetos inanimados (níveis variam conforme risco e protocolo). 
  • Assepsia: métodos/medidas para manter condições estéreis e evitar introdução de microrganismos. 

Em rotinas assistenciais, a higiene das mãos é um elo central (às vezes subestimado). A Anvisa define “higiene das mãos” como termo geral para ações de limpeza que incluem fricção com preparação alcoólica ou higiene com água e sabonete para reduzir/inibir crescimento microbiano.  

Foto de uma pessoa fazendo o processo de antissepsia no hospital

Substâncias antissépticas: exemplos usados no Brasil e em quais contextos aparecem 

O texto-base cita álcool, clorexidina e iodopovidona como soluções comuns. Em termos de prática padronizada no país, esses nomes aparecem com frequência em protocolos e materiais técnicos. 

  • Clorexidina alcoólica: citada em protocolo da Anvisa para preparo da pele em prevenção de infecção primária de corrente sanguínea (ex.: inserção de cateter).  
  • Álcool e preparações alcoólicas: aparecem amplamente em recomendações de higiene das mãos e antissepsia, com uso por fricção quando aplicável.  
  • Antissépticos como categoria regulada: a Anvisa trata do tema e do uso pretendido de antissépticos em documentos técnicos, reforçando que o objetivo é reduzir risco da presença de microrganismos em condições específicas de proteção da saúde.  

Importante: a escolha do antisséptico e sua forma de uso (aquoso, alcoólico, degermante, concentração, tempo de contato) deve seguir protocolos da instituição e diretrizes aplicáveis. O que muda é o contexto (ex.: pele íntegra, procedimento invasivo, preparo cirúrgico das mãos, alergias/contraindicações, etc.). 

Produtos e materiais mais comuns em rotinas de antissepsia e assepsia 

1. Antissépticos (soluções) 

São produtos usados para reduzir/eliminar microrganismos em tecidos vivos, como parte de uma rotina de antissepsia. A Anvisa publica documentos técnicos sobre antissépticos e seu uso pretendido.  

Exemplos citados e amplamente usados em serviços: álcool, clorexidina, iodopovidona, sempre conforme indicação e protocolo. 

2. Lenços para assepsia/antissepsia (swabs e lenços) 

Na prática, esse tipo de item costuma aparecer em duas frentes: 

  • swabs com álcool para preparo rápido de pele, conforme prática institucional; 
  • lenços desinfetantes para superfícies (aí o termo técnico tende a ser desinfecção, não antissepsia). 

Atenção: lenço para pele e lenço para superfície são usos diferentes e devem respeitar o que está em rótulo/registro e no protocolo do serviço

3. Escovas para antissepsia das mãos (pré-cirúrgica) 

Em contexto cirúrgico, existem rotinas específicas de preparo das mãos. A Anvisa publica materiais e notas técnicas que tratam de higiene/antissepsia das mãos no cuidado em saúde e do preparo pré-operatório das mãos.  

4. Gaze e algodão hidrófilo 

São materiais de uso contínuo que aparecem como suporte para antissepsia e para cuidados de pele/feridas, conforme técnica e indicação.  

O ponto crítico é que o material em si não “vira antisséptico” sozinho. Ele é um apoio para aplicação da solução adequada, seguindo protocolo do procedimento. 

5. Curativos estéreis (assepsia e proteção) 

Curativos estéreis são frequentemente usados para proteger feridas e locais de procedimento, ajudando a reduzir risco de contaminação e a manter condições adequadas ao cuidado.  

Aqui o conceito de assepsia é especialmente importante: manter estéril o que precisa permanecer estéril.

Clorexidina Riohex 2% Solução Aquosa 1L

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Lenços para Assepsia – UniqMed

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Escova Limpeza com Clorexidina 2 – Riohex Scrub

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Como organizar uma “lista de compras” por cenário de uso (clínica e home care) 

A melhor forma de orientar compras e organização não é por marca, é por cenário. Um esquema simples: 

Para rotina clínica (consultório/clínica): 

  • preparação alcoólica para higiene das mãos + água e sabonete conforme indicação (Anvisa).  
  • antisséptico(s) padronizados do serviço para preparo de pele; 
  • materiais de aplicação e cobertura (gaze/algodão/curativos), conforme procedimento; 
  • itens para desinfecção de superfícies (quando aplicável, seguindo POPs). 

Para home care (paciente/cuidador): 

  • foco em orientação profissional e uso correto do que foi prescrito/indicado; 
  • higiene das mãos antes e após cuidado é central (os princípios são os mesmos).  

Em home care, a regra de ouro é não improvisar: antissépticos e desinfetantes têm uso específico, e procedimentos/feridas devem seguir orientação profissional

Onde encontrar esses itens 

Na prática, muitos desses materiais fazem parte do abastecimento recorrente de serviços e também de rotinas domiciliares. A Utilidades Clínicas reúne uma categoria dedicada a itens usados em processos de limpeza da pele e rotinas correlatas (antissépticos e materiais de uso contínuo), o que facilita padronização e reposição. 

A recomendação mais segura para o leitor é: na hora de escolher produtos, confira finalidade de usoorientação do serviço/profissional, e se o item está adequado para pele (antissepsia) ou para superfície (desinfecção), porque o alvo muda, e o risco também. 

Gaze Iris 9 Fios Esteril – Cremer

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Curativo Blood Stop – Blood Stop

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Antisséptico Gliconato de Clorexidina 4% – Vic Pharma

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Conclusão 

Desinfecção, assepsia e antissepsia são pilares da segurança do cuidado, mas cada um tem um alvo e um papel. Antissepsia é ação sobre tecidos vivos, assepsia é um conjunto de métodos para manter condições estéreis, e desinfecção se aplica a superfícies e objetos

rotina segura nasce quando termos corretos viram prática correta: higiene das mãos bem feita, preparo de pele conforme protocolo, materiais adequados e fluxo organizado.  

A partir daí, escolher itens como antissépticos, gazes, algodão, lenços e curativos deixa de ser “compra solta” e vira parte de um sistema. 

Fontes consultadas:

Manual de Processamento de Produtos para a Saúde — definições de antissepsia e assepsia (Brasil) 
https://agenciasus.org.br/shared-files/17008/?Manual-de-Processamento-de-Produtos-para-a-Saude.pdf= 
 
ANVISA — Manual de Referência Técnica para a Higiene das Mãos (definições e recomendações) 
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/prevencao-e-controle-de-infeccao-e-resistencia-microbiana/ManualdeRefernciaTcnica.pdf 
 
ANVISA — Protocolo de Prevenção de Infecção Primária da Corrente Sanguínea (preparo de pele com clorexidina alcoólica) 
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/Protocolo1PrevenodeIPCSFINAL.pdf 
 
ANVISA — Relatório/Nota técnica sobre antissépticos (uso pretendido e contexto regulatório) 
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/regulamentacao/relatorio-harmonizacao-gt-antissepticos.pdf 
 
ANVISA — Nota Técnica GVIMS/GGTES/DIRE3 nº 05/2024 (higiene/antissepsia pré-operatória das mãos – objetivos e orientações) 
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/notas-tecnicas/notas-tecnica 

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