Estomaterapia: o que é e como ajuda no dia a dia 

Estomaterapia: o que é e como ajuda no dia a dia 

“Estomaterapia” costuma aparecer na vida das pessoas quando há uma mudança importante no corpo: uma estomia (ou ostomia), uma ferida complexa ou situações de incontinência. E, embora o nome pareça técnico, a ideia é bem humana: apoiar o cuidado diário, prevenir complicações e ajudar a pessoa a retomar rotina, trabalho, autocuidado e vida social. 

No Brasil, a SOBEST (Associação Brasileira de Estomaterapia) descreve a estomaterapia como uma especialidade do enfermeiro voltada à promoção e atenção integral nas áreas de estomias, feridas e incontinências.  

E o Ministério da Saúde tem diretrizes nacionais para a atenção às pessoas com estomia no SUS, além de um guia técnico sobre o cuidado e a reabilitação.  

O que é estomaterapia, na prática 

Estomaterapia é uma área especializada de cuidado (principalmente da enfermagem) que atua em três frentes principais: 

1. Estomias (ostomias) 

São aberturas criadas cirurgicamente para comunicação de um órgão com o meio externo (por exemplo, intestino ou vias urinárias), exigindo dispositivos coletores e cuidados de pele ao redor.  

O Guia do Ministério da Saúde descreve estomia como exteriorização de parte dos sistemas respiratório, digestório e urinário, criando um orifício artificial entre órgãos internos e o meio externo.  

2. Feridas 

Inclui feridas agudas e crônicas, além de condições associadas que exigem avaliação especializada. A SOBEST descreve o enfermeiro estomaterapeuta como especialista em feridas e em condições relacionadas (incluindo fístulas, drenos e cateteres).  

3. Incontinências 

A estomaterapia também abrange incontinência urinária e anal, apoiando manejo, prevenção de lesões e reabilitação, como apresentado pela SOBEST.  

O ponto central: estomaterapia não é só “trocar curativo” ou “trocar bolsa”. É um cuidado contínuo, educativo e de reabilitação. 

Foto de uma enfermeira fazendo exame físico de estomaterapia

Estomia: o que muda na rotina 

Receber uma estomia costuma vir acompanhado de dúvidas práticas: como cuidar da pele, como trocar o dispositivo, como lidar com vazamentos, odores, roupas, vida social e sexualidade. 

INCA tem uma cartilha voltada ao usuário (“Cuidados com estomias intestinais e urinárias”) feita por setor de estomaterapia hospitalar, com orientações para adaptação e autocuidado.  

Ela traz, por exemplo, a recomendação de ter um kit de reserva para sair de casa (coletores, itens de higiene e saco para descarte), algo que melhora a segurança e reduz ansiedade no dia a dia.  

Essa dimensão prática é parte do cuidado: quando a pessoa entende o que fazer e para onde correr quando algo foge do esperado, a estomia deixa de “tomar conta” da vida. 

Onde a pessoa com estomia encontra cuidado no SUS 

No Brasil, há diretrizes nacionais para atenção às pessoas ostomizadas no SUS. 

  • Portaria nº 400/2009 estabelece Diretrizes Nacionais para a Atenção à Saúde das Pessoas Ostomizadas no SUS.  
  • Guia de Atenção à Saúde da Pessoa com Estomia (Ministério da Saúde) foi elaborado para subsidiar profissionais e orientar cuidado e reabilitação, considerando a Rede de Atenção à Saúde.  

Em termos bem práticos, isso significa que você pode buscar orientação e acompanhamento na rede, com foco em reabilitação, prevenção de complicações e educação para o autocuidado, conforme organização local do serviço. 

Quando procurar ajuda   

Uma das funções mais importantes do acompanhamento especializado é reconhecer precocemente problemas que podem piorar rápido. 

Sem entrar em “receitas” (porque cada caso é um caso e depende do tipo de estomia e de orientação do serviço), sinais que costumam justificar busca de avaliação incluem

  • vazamentos repetidos e dificuldade de fixação do coletor; 
  • irritação importante, lesões ou dor na pele ao redor; 
  • mudanças importantes no aspecto do estoma; 
  • dúvidas persistentes sobre técnica, materiais ou adaptação. 

O Guia do Ministério da Saúde enfatiza prevenção de complicações e necessidade de orientações específicas e reabilitação. A cartilha do INCA existe justamente para apoiar a adaptação com segurança e reduzir erros comuns do dia a dia.  

Foto de um enfermeiro fazendo exame físico para estomia.

A estomaterapia também é sobre autonomia e qualidade de vida 

É comum a estomia ser percebida como “limitação”. A estomaterapia trabalha na direção contrária: tornar o cuidado compreensívelexecutável e integrado à rotina. 

Isso inclui: 

  • educação para autocuidado; 
  • escolha adequada de dispositivos e adjuvantes (sempre com orientação profissional); 
  • suporte emocional e de adaptação social; 
  • acompanhamento contínuo para prevenir complicações e evitar idas repetidas ao pronto atendimento. 

O próprio Guia do Ministério da Saúde descreve a atenção à pessoa com estomia com foco em cuidado e reabilitação, para que a pessoa tenha condições de exercer suas funções na sociedade.  

Conclusão 

Estomaterapia é um cuidado especializado que ajuda pessoas e cuidadores a atravessarem uma fase que pode ser difícil, e a transformá-la em rotina possível. Ela abrange estomias, feridas e incontinências, e no Brasil existem diretrizes e materiais oficiais que orientam esse cuidado, especialmente no SUS.  

Para quem vive com estomia, a melhor estratégia não é “descobrir na tentativa e erro”: é buscar orientação qualificada, usar materiais educativos confiáveis e manter acompanhamento para prevenção de complicações e reabilitação. 

Fontes consultadas:

Leia também: