No calendário das campanhas de saúde no Brasil, fevereiro ganhou duas cores e quatro temas centrais:
- Fevereiro Roxo: conscientização sobre lúpus, fibromialgia e doença de Alzheimer.
- Fevereiro Laranja: alerta para a leucemia e a importância da doação de medula óssea.
Diversos órgãos públicos e instituições de saúde descrevem Fevereiro Roxo e Laranja como um movimento de informação, combate ao estigma e estímulo ao diagnóstico precoce para essas condições crônicas e, muitas vezes, pouco compreendidas pela população.
1. O que é Fevereiro Roxo?
O Fevereiro Roxo foi criado para dar visibilidade ao lúpus, à fibromialgia e à doença de Alzheimer, reforçando a importância do reconhecimento precoce dos sintomas e do cuidado contínuo.
Essas três condições têm pontos em comum:
- mas podem ter sintomas controlados e impacto reduzido quando há diagnóstico e tratamento adequados.
O lema frequentemente associado à campanha é algo na linha de: “Se não houver cura, que haja conforto”, ou seja, foco em qualidade de vida, manejo de sintomas e suporte multiprofissional.
Vamos revisar, em linguagem prática, o essencial sobre cada uma.
2. Lúpus: inflamação autoimune que pode afetar múltiplos órgãos
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença inflamatória autoimune em que o sistema imune passa a atacar o próprio organismo, podendo comprometer pele, articulações, rins, pulmões, cérebro e outros órgãos.
Principais características
- Predomina em mulheres, especialmente em idade fértil.
- Pode cursar com períodos de atividade (“crise”) e remissão.
- Tem apresentação clínica muito variável, de manifestações cutâneas e articulares mais leves a quadros graves com comprometimento renal, neurológico ou hematológico.
Sinais e sintomas frequentes
Entre as manifestações descritas em materiais do Ministério da Saúde e da Biblioteca Virtual em Saúde estão:
- dores articulares e musculares;
- lesões de pele (incluindo o eritema em “asa de borboleta” no rosto);
- sensibilidade acentuada ao sol;
- em casos mais graves, alteração na urina (sinal de acometimento renal), falta de ar, dor torácica, alterações neurológicas.
Tratamento e autocuidado
Guias oficiais e protocolos clínicos apontam que o tratamento é individualizado e pode incluir:
- anti-inflamatórios, antimaláricos, imunossupressores e, em alguns casos, biológicos;
- acompanhamento regular com reumatologia e outros especialistas;
- apoio multiprofissional (enfermagem, fisioterapia, psicologia, nutrição).
Na prática da clínica e da APS, Fevereiro Roxo é um bom momento para:
- reforçar sinais de alerta em pacientes com queixas articulares e alterações cutâneas;
- revisar orientações de fotoproteção e adesão medicamentosa;
- alinhar encaminhamentos para reumatologia conforme protocolos.
3. Fibromialgia: dor crônica invisível, mas real
A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada que atinge músculos, tendões e tecidos moles, acompanhada de fadiga, distúrbios do sono e alterações cognitivas e emocionais.
De acordo com o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Reumatologia, estima-se que cerca de 3% da população brasileira viva com fibromialgia, com predominância em mulheres, mas podendo afetar também homens, adolescentes e idosos.
Sintomas principais
- dor generalizada por pelo menos três meses;
- sono não reparador (a pessoa acorda cansada);
- dificuldade de concentração e queixas de memória (“fibrofog”);
- sintomas ansiosos e depressivos em parcela importante dos pacientes.
Manejo
Notas técnicas e protocolos de atenção à fibromialgia enfatizam:
- diagnóstico clínico (sem exame específico confirmatório);
- abordagem multidisciplinar;
- grande peso de intervenções não farmacológicas: educação em saúde, atividade física orientada, estratégias de manejo da dor, suporte psicológico;
- uso criterioso de medicamentos (analgésicos, moduladores de dor, antidepressivos, entre outros) para alívio de sintomas.
No serviço, a campanha de Fevereiro Roxo pode ajudar a:
- treinar equipes para reconhecer fibromialgia sem rotular como “dor psicológica”;
- evitar prescrição excessiva de exames e medicações sem plano;
- encaminhar para redes de cuidado em dor crônica e saúde mental.
A doença de Alzheimer é uma forma de demência neurodegenerativa progressiva, marcada por perda de memória e outras funções cognitivas, que interfere nas atividades de vida diária e no comportamento.
Sinais e sintomas iniciais
Fontes oficiais em saúde no Brasil descrevem como sintomas precoces típicos:
- esquecimento de acontecimentos recentes;
- repetição da mesma pergunta várias vezes;
- dificuldade em acompanhar conversas ou tarefas complexas;
- desorientação em tempo e espaço;
- dificuldade para encontrar palavras e organizar pensamentos;
- alterações de humor, comportamento e julgamento.
Com a progressão, surgem:
- maior dependência para atividades básicas (banho, alimentação, medicações);
- risco de acidentes domésticos e saídas sem retorno;
- sintomas neuropsiquiátricos (delírios, alucinações, agitação).
Importância do diagnóstico precoce
Embora ainda não haja cura, o diagnóstico precoce permite:
- planejar o cuidado e a rede de apoio;
- manejar comorbidades e fatores de risco;
- introduzir intervenções farmacológicas e não farmacológicas que podem retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida.
Fevereiro Roxo é, portanto, um convite a:
- sensibilizar famílias e equipes para os primeiros sinais;
- estruturar fluxos de encaminhamento para avaliação cognitiva;
- orientar cuidadores sobre sobrecarga, segurança e organização da rotina do idoso.
5. Fevereiro Laranja: leucemia e doação de medula óssea
O Fevereiro Laranja foca na leucemia e na importância da doação de medula óssea, com forte ênfase no diagnóstico precoce e no acesso a tratamento especializado.
O que é leucemia?
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a leucemia é um tipo de câncer das células sanguíneas em que uma célula jovem da medula óssea sofre mutação e passa a se multiplicar de forma descontrolada, prejudicando a produção normal de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.
Existem subtipos (mieloide e linfoide, aguda e crônica), com características e manejo específicos.
Sinais e sintomas
Materiais do Ministério da Saúde, INCA e serviços especializados descrevem que, por comprometer a produção normal das células sanguíneas, a leucemia costuma se manifestar com:
- sinais de anemia: cansaço intenso, fraqueza, palidez;
- sangramentos: manchas roxas, petéquias, sangramento nasal ou gengival;
- infecções frequentes ou de difícil controle;
- aumento de gânglios, baço ou fígado;
- perda de peso e sudorese noturna em alguns casos.
Em crianças e adolescentes, é uma das neoplasias mais frequentes; em adultos e idosos, pode ter apresentação mais insidiosa.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico envolve:
- hemograma com alterações características;
- exames específicos da medula óssea;
- estudos imunofenotípicos e genéticos, conforme protocolo.
O tratamento pode incluir:
- quimioterapia, terapias-alvo e imunoterapias;
- em casos selecionados, transplante de medula óssea, que depende de doadores compatíveis.
Por isso, Fevereiro Laranja também reforça:
- a importância de cadastro de doadores de medula óssea em hemocentros e registros nacionais;
- a necessidade de informação qualificada para reduzir medo e mitos associados à doação.
6. O que profissionais e serviços de saúde podem fazer em Fevereiro Roxo e Laranja
Mais do que mudar a cor do laço, o mês permite estruturar ações concretas.
6.1. Educação em saúde e redução de estigma
- Produzir materiais informativos claros sobre lúpus, fibromialgia, Alzheimer e leucemia, com base em fontes oficiais.
- Abordar mitos frequentes: “fibromialgia é só frescura”, “lúpus é sempre fatal”, “Alzheimer é só envelhecimento normal”, “leucemia só acontece em crianças”.
6.2. Qualificar triagem e encaminhamento
- Revisar fluxos internos para suspeita de lúpus (queixas articulares e cutâneas sistêmicas), fibromialgia (dor crônica difusa), demência (queixas cognitivas) e leucemia (alterações em hemograma, sintomas de alerta).
- Alinhar com a equipe de enfermagem e recepção como acolher queixas e reconhecer sinais de gravidade.
6.3. Apoiar pacientes já diagnosticados
- Revisar planos terapêuticos e adesão;
- Atualizar esquemas de acompanhamento (consultas, exames de monitorização);
- Orientar familiares sobre sinais de descompensação ou efeitos adversos de medicamentos.
Conclusão
Para transformar o mês em um projeto estruturado, algumas ideias práticas:
- Calendário interno: definir quais subtemas serão trabalhados a cada semana (por exemplo, semana 1 – lúpus; semana 2 – fibromialgia; semana 3 – Alzheimer; semana 4 – leucemia/doação de medula).
- Sala de espera ativa: pôsteres, cartazes, vídeos institucionais sobre sinais de alerta, importância do diagnóstico precoce e canais de apoio.
- Ações de CRM e comunicação digital: newsletters, posts e materiais educativos alinhados às campanhas oficiais, sempre reforçando que o conteúdo não substitui avaliação profissional.
- Parcerias com grupos de pacientes e associações: compartilhamento de materiais de associações de apoio (reumatologia, Alzheimer, onco-hematologia), quando alinhado ao posicionamento do serviço.
Em todos os casos, é essencial citar fontes oficiais, respeitar diretrizes éticas e evitar promessas de cura ou linguagem sensacionalista.
Fontes
Publicado Por
Gabriela Guimarães
Pós-graduada em Marketing Digital pela PUC Minas, atua desde 2020 no setor da saúde, desenvolvendo estratégias de comunicação e produzindo conteúdos relevantes e confiáveis para a área.
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