Termômetros: qual escolher e como medir corretamente

Termômetros: qual escolher e como medir corretamente

Medir temperatura parece simples até você perceber que o resultado muda conforme o local do corpo, o tipo de termômetro e a técnica. Um termômetro excelente usado de um jeito errado entrega um número convincente, e enganoso. 

Boas referências convergem em três ideias práticas: 

  1. Siga as instruções do fabricante do seu modelo (cada um tem particularidades).  
  1. Prepare o momento da medição (ex.: aguardar após bebida quente/fria, exercício, banho quente).  
  1. Para acompanhar evolução, use sempre o mesmo local e, idealmente, o mesmo aparelho, para comparar. 

A seguir, você vai ver como escolher o termômetro adequado para casa, clínica e rotina acadêmica, e como medir do jeito certo. 

O que muda entre os tipos de termômetro 

Os locais mais comuns de medida (dependendo do dispositivo) incluem boca, axila, reto, ouvido e testa.  
E aqui entra uma verdade útil: nem todo método tem a mesma capacidade de se aproximar do valor real, e alguns são melhores para triagem do que para decisão clínica. 

Em pediatria, por exemplo, a American Academy of Pediatrics (AAP) resume assim: 

  • Retal: mais preciso 
  • Testa (temporal): próximo em precisão 
  • Oral e ouvido: bons se usados corretamente 
  • Axilar: o menos preciso, útil como triagem  

Em serviços e em casa, a escolha costuma equilibrar quatro critérios: 

  • Idade e conforto do paciente 
  • Velocidade (triagem vs acompanhamento) 
  • Risco de erro por técnica (ex.: ouvido e sem contato exigem posicionamento correto)  
  • Higienização e uso dedicado (principalmente quando há via retal/oral)  

Como escolher: um mapa rápido por cenário 

Home care  

Em casa, o mais importante é consistência + técnica correta

  • Para acompanhamento (e não só triagem), prefira um método com boa estabilidade e que você consiga executar sempre do mesmo jeito. A recomendação de manter mesmo local e mesmo aparelho ajuda muito a comparar evolução ao longo do tempo.  
  • Se usar infravermelho sem contato (NCIT), a execução faz diferença: testa limpa e seca, sem obstrução, aparelho perpendicular e na distância indicada pelo fabricante.  

Clínica e consultório 

No ambiente clínico, além da técnica, entram duas preocupações: 

  • Padronização (para reduzir variabilidade entre profissionais e turnos)  de novo, “mesmo local e mesmo aparelho” para acompanhamento do mesmo paciente é uma prática operacional defensável.  
  • Conformidade regulatória do dispositivo, especialmente em infravermelhos: no Brasil, a Anvisa descreve que termômetros infravermelhos usados clinicamente devem ser submetidos à Agência antes da comercialização.  

Rotina acadêmica (treino de habilidades e boas práticas) 

Para estudantes, o ganho é formar hábito correto: 

  • Aprender técnica de axilar/oral e entender limitações.  
  • Saber que testa/sem contato pode ser útil para triagem, mas exige cuidado com fatores ambientais e com o modo de uso.  
Foto de uma enfermeira medindo a temperatura de uma mulher idosa com o termômetro de infravermelho

Como medir certo: passo a passo por método 

A regra de ouro: leia o manual do seu modelo. Em infravermelhos sem contato, por exemplo, a própria FDA reforça que distância e modo de uso são específicos do dispositivo.  

Temperatura axilar (digital) 

É comum em casa e em muitos serviços, mas tende a ser menos precisa do que outros métodos (especialmente em crianças), então técnica e consistência contam muito.  

Um procedimento operacional (POP) de serviço público de saúde descreve pontos-chave

  • Higienizar as mãos; 
  • Limpar o termômetro antes e depois; 
  • Posicionar na axila e manter o braço junto ao tórax até o sinal do aparelho.  

O NHS também reforça a ideia de manter o braço bem junto ao corpo até o termômetro concluir.  

Temperatura oral (digital) 

Boa opção para adultos e crianças maiores. 

Para reduzir erro: 

  • Aguarde 20 a 30 minutos após comer, fumar ou beber algo quente/frio;  
  • Posicione sob a língua (mais para trás) e mantenha boca fechada até o “bip”.  

Esses detalhes aparecem tanto em referência clínica (MedlinePlus) quanto em orientação pediátrica (AAP).  

Temperatura retal (digital) 

Em pediatria, a AAP descreve como a leitura com melhor qualidade, especialmente em bebês pequenos.  

A AAP orienta inclusive: 

  • Usar lubrificante; 
  • Inserção cuidadosa (com profundidade orientada por idade); 
  • Desinfecção do termômetro antes e depois. 
  • E, muito importante: dedicar um termômetro “retal” para não ser usado na boca  

Testa / artéria temporal (contato ou sem contato) 

É prático, rápido e útil em triagens e em casa, mas é sensível a fatores externos

O FDA descreve “boas práticas” para NCIT: 

  • Testa limpa, seca e desobstruída
  • Manter o sensor perpendicular à testa; 
  • Respeitar a distância especificada pelo fabricante; 
  • Evitar condições que distorcem leitura (ex.: testa exposta a sol direto). 

No Brasil, o Inmetro também enfatiza dois pontos cruciais: 

  • sensor em ângulo reto (90°)
  • distância correta, pois distância maior pode reduzir leitura e “esconder” febre.  

Um POP de serviço público ainda alerta que medidas periféricas podem servir para rastreamento e não necessariamente para decisão clínica, dependendo do contexto e do equipamento.  

Ouvido / timpânico (infravermelho) 

A AAP indica uso em crianças a partir de 6 meses, e destaca que a colocação correta no canal auditivo é essencial para ser preciso.  

Se a técnica falhar (ou houver interferência), o número pode sair errado. 

Foto de um médico analisando a temperatura corporal do paciente

Preparação do paciente 

Algumas situações bagunçam a temperatura momentaneamente e podem gerar leitura falsa

  • Depois de banho quente ou exercício intenso: aguarde pelo menos 1 hora 
  • Depois de comer, fumar ou beber quente/frio: aguarde 20 a 30 minutos  

Isso é especialmente relevante em home care, onde decisões podem ser tomadas com base em uma única medida. 

Higienização e segurança 

Fontes clínicas recomendam limpar o termômetro antes e após o uso, com água e sabão ou álcool (conforme orientação e tipo do equipamento).  

O POP citado descreve limpeza com álcool 70% em fricções, antes e depois da aferição, como rotina operacional.  

Em pediatria, reforço crucial: 

  • Rotule um termômetro como “oral” e outro como “retal” para não misturar vias.  

Conclusão 

Escolher o termômetro ideal é escolher o melhor equilíbrio entre acurácia, praticidade e chance de erro por técnica no seu cenário (casa, clínica ou ensino). Para medir certo e reduzir leituras falsas: 

  • Prepare o momento (evite medir logo após exercícios, banho quente, bebida quente/fria).  
  • Execute a técnica específica do método (axilar, oral, retal, ouvido, testa/sem contato).  
  • Para acompanhamento, mantenha consistência: mesmo local e mesmo aparelho ajudam a comparar evolução.  
  • Em infravermelhos sem contato, o “como usar” manda no resultado: distância, ângulo e condições da testa são críticos.  

Com isso, o termômetro vira o que ele deve ser: uma ferramenta confiável de monitorização, e não um gerador de ansiedade. 

Fontes consultadas:

American Academy of Pediatrics (HealthyChildren) — How to Take Your Child’s Temperature 
https://www.healthychildren.org/English/health-issues/conditions/fever/Pages/How-to-Take-a-Childs-Temperature.aspx 
 
FDA — Non-contact Infrared Thermometers (orientações de uso) 
https://www.fda.gov/medical-devices/general-hospital-devices-and-supplies/non-contact-infrared-thermometers 
 
CDC (STStacks) — Non-Contact Temperature Measurement Devices (PDF) 
https://stacks.cdc.gov/view/cdc/24857/cdc_24857_DS1.pdf 
 
MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) — Temperature measurement (preparo e limpeza) 
https://medlineplus.gov/ency/article/003400.htm 
 
Inmetro — Termômetro infravermelho: saiba como usá-lo corretamente 
https://www.gov.br/inmetro/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/termometro-infravermelho-saiba-como-usa-lo-corretamente 
 
Anvisa — Informações técnicas sobre termômetro infravermelho (comercialização e requisitos) 
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2020/informacoes-tecnicas-sobre-termometro-infravermelho 
 
NHS — High temperature (fever) in adults (técnica oral/axilar e referência de 38°C) 
https://www.nhs.uk/symptoms/fever-in-adults/ 
 
POP (Secretaria Municipal de Saúde de Londrina) — Aferição da Temperatura Corporal (PDF) 
https://saude.londrina.pr.gov.br/images/protocolos-clinicos-saude/32-_AFERI%C3%87%C3%83O_DA_TEMPERATURA_CORPORAL.pdf 
 
Portfólio UC (referência de categoria, não fonte técnica) — Termômetros 
https://www.utilidadesclinicas.com.br/aparelhos-medicos/termometro.html 

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