Medir temperatura parece simples até você perceber que o resultado muda conforme o local do corpo, o tipo de termômetro e a técnica. Um termômetro excelente usado de um jeito errado entrega um número convincente, e enganoso.
Boas referências convergem em três ideias práticas:
Siga as instruções do fabricante do seu modelo (cada um tem particularidades).
Prepare o momento da medição (ex.: aguardar após bebida quente/fria, exercício, banho quente).
Para acompanhar evolução, use sempre o mesmo local e, idealmente, o mesmo aparelho, para comparar.
A seguir, você vai ver como escolher otermômetro adequado para casa, clínica e rotina acadêmica, e como medir do jeito certo.
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O que muda entre os tipos de termômetro
Os locais mais comuns de medida (dependendo do dispositivo) incluem boca, axila, reto, ouvido e testa. E aqui entra uma verdade útil: nem todo método tem a mesma capacidade de se aproximar do valor real, e alguns são melhores para triagem do que para decisão clínica.
Em pediatria, por exemplo, a American Academy of Pediatrics (AAP) resume assim:
Retal: mais preciso
Testa (temporal): próximo em precisão
Oral e ouvido: bons se usados corretamente
Axilar: o menos preciso, útil como triagem
Em serviços e em casa, a escolha costuma equilibrar quatro critérios:
Idade e conforto do paciente
Velocidade (triagem vs acompanhamento)
Risco de erro por técnica (ex.: ouvido e sem contato exigem posicionamento correto)
Higienização e uso dedicado (principalmente quando há via retal/oral)
Como escolher: um mapa rápido por cenário
Home care
Em casa, o mais importante é consistência + técnica correta:
Para acompanhamento (e não só triagem), prefira um método com boa estabilidade e que você consiga executar sempre do mesmo jeito. A recomendação de manter mesmo local e mesmo aparelho ajuda muito a comparar evolução ao longo do tempo.
Se usar infravermelho sem contato (NCIT), a execução faz diferença: testa limpa e seca, sem obstrução, aparelho perpendicular e na distância indicada pelo fabricante.
Clínica e consultório
No ambiente clínico, além da técnica, entram duas preocupações:
Padronização (para reduzir variabilidade entre profissionais e turnos) de novo, “mesmo local e mesmo aparelho” para acompanhamento do mesmo paciente é uma prática operacional defensável.
Conformidade regulatória do dispositivo, especialmente em infravermelhos: no Brasil, a Anvisa descreve que termômetros infravermelhos usados clinicamente devem ser submetidos à Agência antes da comercialização.
Rotina acadêmica (treino de habilidades e boas práticas)
Aprender técnica de axilar/oral e entender limitações.
Saber que testa/sem contato pode ser útil para triagem, mas exige cuidado com fatores ambientais e com o modo de uso.
Como medir certo: passo a passo por método
A regra de ouro: leia o manual do seu modelo. Em infravermelhos sem contato, por exemplo, a própria FDA reforça que distância e modo de uso são específicos do dispositivo.
Temperatura axilar (digital)
É comum em casa e em muitos serviços, mas tende a ser menos precisa do que outros métodos (especialmente em crianças), então técnica e consistência contam muito.
Um procedimento operacional (POP) de serviço público de saúde descreve pontos-chave:
Higienizar as mãos;
Limpar o termômetro antes e depois;
Posicionar na axila e manter o braço junto ao tórax até o sinal do aparelho.
O NHS também reforça a ideia de manter o braço bem junto ao corpo até o termômetro concluir.
Temperatura oral (digital)
Boa opção para adultos e crianças maiores.
Para reduzir erro:
Aguarde 20 a 30 minutos após comer, fumar ou beber algo quente/frio;
Posicione sob a língua (mais para trás) e mantenha boca fechada até o “bip”.
Esses detalhes aparecem tanto em referência clínica (MedlinePlus) quanto em orientação pediátrica (AAP).
Temperatura retal (digital)
Em pediatria, a AAP descreve como a leitura com melhor qualidade, especialmente em bebês pequenos.
A AAP orienta inclusive:
Usar lubrificante;
Inserção cuidadosa (com profundidade orientada por idade);
Desinfecção do termômetro antes e depois.
E, muito importante: dedicar um termômetro “retal” para não ser usado na boca
Testa / artéria temporal (contato ou sem contato)
É prático, rápido e útil em triagens e em casa, mas é sensível a fatores externos.
O FDA descreve “boas práticas” para NCIT:
Testa limpa, seca e desobstruída;
Manter o sensor perpendicular à testa;
Respeitar a distância especificada pelo fabricante;
Evitar condições que distorcem leitura (ex.: testa exposta a sol direto).
No Brasil, o Inmetro também enfatiza dois pontos cruciais:
sensor em ângulo reto (90°);
distância correta, pois distância maior pode reduzir leitura e “esconder” febre.
Um POP de serviço público ainda alerta que medidas periféricas podem servir para rastreamento e não necessariamente para decisão clínica, dependendo do contexto e do equipamento.
Ouvido / timpânico (infravermelho)
A AAP indica uso em crianças a partir de 6 meses, e destaca que a colocação correta no canal auditivo é essencial para ser preciso.
Se a técnica falhar (ou houver interferência), o número pode sair errado.
Preparação do paciente
Algumas situações bagunçam a temperatura momentaneamente e podem gerar leitura falsa:
Depois de banho quente ou exercício intenso: aguarde pelo menos 1 hora
Depois de comer, fumar ou beber quente/frio: aguarde 20 a 30 minutos
Isso é especialmente relevante em home care, onde decisões podem ser tomadas com base em uma única medida.
Higienização e segurança
Fontes clínicas recomendam limpar o termômetro antes e após o uso, com água e sabão ou álcool (conforme orientação e tipo do equipamento).
O POP citado descreve limpeza com álcool 70% em fricções, antes e depois da aferição, como rotina operacional.
Em pediatria, reforço crucial:
Rotule um termômetro como “oral” e outro como “retal” para não misturar vias.
Conclusão
Escolher o termômetro ideal é escolher o melhor equilíbrio entre acurácia, praticidade e chance de erro por técnica no seu cenário (casa, clínica ou ensino). Para medir certo e reduzir leituras falsas:
Prepare o momento (evite medir logo após exercícios, banho quente, bebida quente/fria).
Execute a técnica específica do método (axilar, oral, retal, ouvido, testa/sem contato).
Para acompanhamento, mantenha consistência: mesmo local e mesmo aparelho ajudam a comparar evolução.
Em infravermelhos sem contato, o “como usar” manda no resultado: distância, ângulo e condições da testa são críticos.
Com isso, o termômetro vira o que ele deve ser: uma ferramenta confiável de monitorização, e não um gerador de ansiedade.
Pós-graduada em Marketing Digital pela PUC Minas, atua desde 2020 no setor da saúde, desenvolvendo estratégias de comunicação e produzindo conteúdos relevantes e confiáveis para a área.
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