Você sabia que os rins podem apresentar alterações importantes sem que o organismo demonstre sinais evidentes? Essa é uma das principais características da doença renal crônica (DRC), condição que compromete a estrutura ou o funcionamento dos rins e pode evoluir silenciosamente durante anos.
Segundo o Ministério da Saúde, a doença renal crônica representa um importante desafio de saúde pública. Um boletim epidemiológico publicado em 2024 estimou sua prevalência em 6,7% entre adultos brasileiros, considerando critérios laboratoriais.
A boa notícia é que o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado podem ajudar a preservar a função renal e reduzir o risco de complicações.
Mas quais são os sintomas da doença renal crônica? Quem apresenta maior risco? E quais cuidados ajudam a proteger os rins?
Entenda a seguir.
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O que é doença renal crônica?
A doença renal crônica é caracterizada por alterações na estrutura ou na função dos rins que persistem por pelo menos três meses e apresentam implicações para a saúde.
Os rins desempenham funções essenciais para o equilíbrio do organismo, como:
Filtrar o sangue e eliminar resíduos metabólicos;
Regular a quantidade de água e sais minerais;
Participar do controle da pressão arterial;
Contribuir para a produção de glóbulos vermelhos;
Participar da ativação da vitamina D.
Quando a função renal é comprometida, essas atividades podem ser prejudicadas.
A DRC pode evoluir de forma lenta e progressiva, mas sua velocidade de progressão varia conforme a causa, as condições clínicas e o tratamento.
Quais são as principais causas da doença renal crônica?
Diversas condições podem comprometer a saúde dos rins. Entre as principais estão:
Diabetes
O diabetes é um dos fatores de risco mais importantes para a doença renal crônica.
Quando a glicose permanece elevada por períodos prolongados, pode ocorrer lesão nos pequenos vasos sanguíneos responsáveis pela filtração renal.
Por isso, o acompanhamento da glicemia e da função renal é fundamental para pessoas com diabetes.
Hipertensão arterial
A pressão alta também pode danificar os vasos sanguíneos dos rins.
Além disso, existe uma relação de mão dupla: a hipertensão pode contribuir para a perda da função renal, e alterações renais podem dificultar o controle da pressão arterial.
Doenças renais hereditárias
Algumas condições genéticas, como a doença renal policística, podem provocar alterações progressivas na estrutura e no funcionamento dos rins.
Doenças glomerulares
São condições que afetam os glomérulos, estruturas responsáveis pela filtração do sangue.
Dependendo da doença, podem ocorrer perda de proteínas na urina, presença de sangue e comprometimento da função renal.
Uso inadequado de medicamentos
Alguns medicamentos, especialmente determinados anti-inflamatórios, podem prejudicar os rins em certas circunstâncias.
O risco pode ser maior em pessoas com doença renal preexistente, desidratação ou outras condições clínicas.
Por isso, a automedicação e o uso prolongado de medicamentos sem orientação devem ser evitados.
Quais são os sintomas da doença renal crônica?
Um dos maiores desafios da DRC é que os sintomas podem não aparecer nas fases iniciais.
Conforme a doença avança, algumas manifestações podem surgir, como:
Cansaço e fraqueza;
Inchaço nas pernas, pés ou ao redor dos olhos;
Alterações na frequência urinária;
Urina espumosa persistente;
Perda de apetite;
Náuseas;
Coceira na pele;
Dificuldade de concentração;
Falta de ar;
Alterações na pressão arterial.
Esses sintomas não são exclusivos da doença renal crônica e podem estar relacionados a outras condições.
Além disso, uma pessoa pode apresentar comprometimento importante dos rins sem perceber mudanças significativas na urina.
Por isso, não sentir sintomas não significa necessariamente que os rins estejam funcionando normalmente.
Quem tem maior risco de desenvolver doença renal crônica?
Algumas pessoas precisam de atenção especial à saúde renal.
Entre os principais fatores de risco estão:
Diabetes;
Hipertensão arterial;
Doenças cardiovasculares;
Obesidade;
Histórico familiar de doença renal;
Idade avançada;
Tabagismo;
Doenças renais hereditárias;
Exposição a medicamentos ou substâncias que podem prejudicar os rins.
Pessoas que apresentam esses fatores devem conversar com profissionais da saúde sobre a necessidade e a frequência de avaliação da função renal.
Como é feito o diagnóstico da doença renal crônica?
O diagnóstico envolve avaliação clínica e exames que permitem investigar a estrutura e o funcionamento dos rins.
Dois exames merecem destaque.
Creatinina no sangue
A creatinina é uma substância produzida pelo metabolismo muscular e eliminada principalmente pelos rins.
Sua concentração no sangue é utilizada para estimar a taxa de filtração glomerular (TFG), indicador que ajuda a avaliar a função renal.
Entretanto, o resultado da creatinina não deve ser interpretado isoladamente, pois pode sofrer influência de características individuais.
Relação albumina/creatinina na urina
Esse exame ajuda a identificar a presença de albumina na urina, o que pode indicar lesão renal.
A albuminúria pode estar presente mesmo quando a taxa de filtração glomerular ainda está preservada.
Outros exames, como ultrassonografia, análise de urina e avaliações complementares, podem ser solicitados conforme a situação.
Importante: uma alteração isolada não confirma necessariamente doença renal crônica. É preciso avaliar a persistência das alterações e outras evidências clínicas.
Quais são os estágios da doença renal crônica?
A DRC é classificada considerando a causa, a taxa de filtração glomerular e a albuminúria.
Em relação à TFG, as categorias são:
Categoria
TFG (mL/min/1,73 m²)
Classificação
G1
≥ 90
Normal ou elevada
G2
60–89
Levemente diminuída
G3a
45–59
Leve a moderadamente diminuída
G3b
30–44
Moderada a gravemente diminuída
G4
15–29
Gravemente diminuída
G5
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Falência renal
As categorias G1 e G2, isoladamente, não estabelecem o diagnóstico de DRC. É necessário que existam outros marcadores persistentes de lesão renal.
A classificação também considera a quantidade de albumina na urina, pois esse dado contribui para avaliar o risco de progressão e de complicações.
Doença renal crônica tem cura?
Na maioria dos casos, a doença renal crônica não tem cura definitiva.
Entretanto, isso não significa que todas as pessoas terão uma perda rápida ou inevitável da função renal.
O tratamento adequado pode ajudar a:
Controlar a causa da doença;
Retardar sua progressão;
Reduzir o risco cardiovascular;
Prevenir complicações;
Preservar a qualidade de vida.
Em alguns casos, a função renal pode permanecer estável durante muitos anos.
Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores podem ser as oportunidades de intervenção.
Como é feito o tratamento?
O tratamento depende da causa, do estágio da doença e das condições de cada paciente.
Pode incluir controle da pressão arterial e da glicemia, medicamentos específicos para proteção renal, acompanhamento nutricional e avaliação periódica da função dos rins.
Em determinadas situações, o médico pode prescrever medicamentos que ajudam a retardar a progressão da doença.
Também pode ser necessário tratar complicações, como anemia, alterações minerais e acúmulo de líquidos.
Toda pessoa com doença renal crônica precisa fazer hemodiálise?
Não.
A hemodiálise é uma modalidade de tratamento utilizada em situações específicas de perda avançada da função renal.
Existem outras possibilidades, como a diálise peritoneal e o transplante renal.
A indicação depende da avaliação especializada, dos sintomas, das alterações metabólicas e das necessidades individuais.
Ter doença renal crônica não significa, automaticamente, precisar de diálise.
Como prevenir a doença renal crônica?
Embora nem todas as causas possam ser evitadas, algumas atitudes ajudam a proteger a saúde renal e reduzir o risco de desenvolvimento ou progressão da doença.
1. Controle a pressão arterial
A hipertensão é uma das principais causas de comprometimento renal.
Acompanhar a pressão e seguir o tratamento prescrito ajuda a proteger os rins e o sistema cardiovascular.
2. Mantenha o diabetes acompanhado
Para pessoas com diabetes, o controle da glicemia e a avaliação periódica da função renal são fundamentais.
3. Tenha uma alimentação equilibrada
Reduzir o excesso de sódio e priorizar uma alimentação variada pode contribuir para o controle da pressão arterial e da saúde metabólica.
Pessoas que já possuem DRC podem precisar de ajustes específicos na ingestão de proteínas, potássio, fósforo e líquidos, conforme orientação profissional.
4. Pratique atividades físicas
A atividade física regular contribui para o controle do peso, da pressão arterial e da glicemia.
5. Evite a automedicação
O uso indiscriminado de anti-inflamatórios e outros medicamentos pode representar riscos à função renal.
6. Mantenha uma hidratação adequada
A ingestão de líquidos deve considerar idade, condições clínicas, atividade física e orientações profissionais.
Beber água em excesso não melhora automaticamente a função renal. Pessoas com doença renal avançada ou determinadas condições cardíacas podem precisar de restrição de líquidos.
7. Realize os exames indicados
A avaliação preventiva é especialmente importante para pessoas com fatores de risco.
Como cuidar de uma pessoa com doença renal crônica em casa?
O cuidado domiciliar pode fazer parte da rotina de quem vive com DRC, principalmente quando existe necessidade de acompanhar outras condições associadas.
Algumas medidas incluem:
Monitoramento da pressão arterial: quando indicado, aparelhos de pressão podem auxiliar no registro das medidas para acompanhamento profissional.
Controle da glicemia: pessoas com diabetes podem precisar utilizar glicosímetros ou outros sistemas de monitoramento, conforme prescrição.
Organização dos medicamentos: manter horários e doses corretamente ajuda na continuidade do tratamento.
Acompanhamento dos exames: registrar resultados e consultas facilita a comunicação com a equipe de saúde.
Atenção aos sintomas: inchaço progressivo, redução importante da urina, falta de ar ou alterações do estado de consciência exigem avaliação médica, com urgência quando intensos ou súbitos.
O cuidado em casa deve complementar, e nunca substituir, o acompanhamento profissional.
Perguntas frequentes sobre doença renal crônica
Quais são os primeiros sinais de doença renal crônica?
Nas fases iniciais, a doença pode não apresentar sintomas. Alterações na creatinina, na taxa de filtração glomerular ou na quantidade de albumina na urina podem ser os primeiros indícios.
Doença renal crônica é grave?
Pode ser. A gravidade depende da causa, do comprometimento da função renal, da albuminúria e de outras condições clínicas. O acompanhamento adequado ajuda a reduzir riscos.
Quem tem doença renal crônica pode beber bastante água?
A quantidade adequada de líquidos varia. Algumas pessoas podem manter uma ingestão habitual, enquanto outras precisam de restrição. A orientação deve ser individualizada.
Diabetes pode causar insuficiência renal?
Sim. O diabetes é uma das principais causas de doença renal crônica e pode levar à perda avançada da função renal quando ocorre comprometimento progressivo.
A doença renal crônica pode ser descoberta em exames de rotina?
Sim. Exames de sangue e urina podem identificar alterações antes do surgimento de sintomas, especialmente em pessoas com fatores de risco.
Qual médico cuida da doença renal crônica?
O nefrologista é o especialista responsável pelo diagnóstico e tratamento das doenças renais. A atenção primária também desempenha papel importante na identificação, no acompanhamento e no encaminhamento quando necessário.
Cuidar dos rins é cuidar da saúde como um todo
A doença renal crônica pode evoluir silenciosamente, mas existem oportunidades importantes para identificar alterações e reduzir o risco de complicações.
Controlar a pressão arterial e o diabetes, evitar a automedicação, manter hábitos saudáveis e realizar os exames indicados são atitudes que fazem parte da prevenção e do cuidado.
Para quem já recebeu o diagnóstico, o acompanhamento contínuo e o tratamento individualizado podem ajudar a preservar a função renal e a qualidade de vida.
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Pós-graduada em Marketing Digital pela PUC Minas, atua desde 2020 no setor da saúde, desenvolvendo estratégias de comunicação e produzindo conteúdos relevantes e confiáveis para a área.
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