Cuidados com curativos e pele frágil em idosos e acamados 

Cuidados com curativos e pele frágil em idosos e acamados 

Quem cuida de um idoso ou de uma pessoa acamada descobre que a pele é um órgão “sensível ao contexto”. Pouco movimento, fricção, umidade (suor e incontinência), desnutrição e doenças crônicas podem transformar a pele em um território vulnerável.  

E, quando surgem feridas ou a necessidade de curativos, a rotina precisa ser organizada para proteger a pele e reduzir risco de complicações. 

Duas bases ajudam a colocar tudo no lugar: 

  1. Higienização das mãos é um pilar de segurança do paciente e prevenção de infecções, também no cuidado domiciliar.   
  1. Lesão por pressão (ou “escara”) é considerada um evento relevante de segurança do paciente, com práticas preventivas descritas em protocolos e notas técnicas da Anvisa.   

Vamos ao que interessa: como cuidar de curativos e de pele frágil com segurança, sem improvisos. 

Pele frágil em idosos e acamados: o que aumenta o risco 

Em pessoas acamadas ou com mobilidade reduzida, o risco de feridas aumenta principalmente por: 

  • pressão prolongada sobre proeminências ósseas (sacro, calcanhar, trocânter, cotovelos); 
  • fricção e cisalhamento (arrastar no lençol, escorregar na cama); 
  • umidade (suor, urina, fezes), que pode causar irritação e maceração; 
  • nutrição inadequada e desidratação
  • doenças e medicamentos que reduzem cicatrização. 

Anvisa reforça a lesão por pressão como tema de segurança do paciente e responsabilidade multiprofissional, e estrutura recomendações preventivas.  

Prevenção de lesão por pressão 

Se você cuida de alguém acamado, prevenção de lesão por pressão é tão importante quanto o curativo em si. O Protocolo para prevenção de úlcera por pressão (PNSP) é uma referência nacional do Brasil.  

Um “pacote” de prevenção que aparece de forma recorrente em protocolos e POPs inclui: 

  • Avaliar risco (muitos serviços usam escala de risco, como Braden, quando aplicável). 
  • Mudança de posição e alívio de pressão de forma programada. 
  • Proteção dos calcanhares e áreas de maior pressão. 
  • Controle de umidade (incontinência, suor) e proteção da pele. 
  • Nutrição e hidratação adequadas, quando possível e conforme orientação da equipe. 

Dica prática de cuidador: se a pessoa já tem áreas avermelhadas que não melhoram após alívio de pressão, isso merece avaliação profissional, pois é um sinal precoce importante dentro da classificação de lesão por pressão.  

Curativos com segurança: o que fazer sempre  

Higienize as mãos 

Antes e depois do curativo, a higiene das mãos é a primeira barreira contra infecção. Isso é um eixo central das ações de segurança do paciente no Brasil. 

Siga o plano orientado pela equipe (principalmente em feridas complexas) 

Curativos “parecem simples” até não serem. Feridas em idosos e acamados podem exigir avaliação e escolha de cobertura conforme tipo de ferida, exsudato (secreção), dor, odor e condição da pele ao redor. 

Reforço nos critérios na padronização de curativos: 

  • escolher curativo conforme quantidade de exsudato
  • feridas secas precisam de abordagem diferente de feridas muito exsudativas; 
  • pele peri-lesional precisa ser protegida contra maceração.  

Tradução prática: o “curativo ideal” é o que mantém equilíbrio: nem “encharcado”, nem “ressecado”, e com pele ao redor protegida. 

Proteja a pele ao redor (peri-lesional) 

Em pele frágil, um erro comum é machucar mais na troca do curativo do que a própria ferida machuca. Existe a necessidade de proteção peri-lesional contra maceração.  

Cuidados práticos: 

  • retirar fitas/adesivos com técnica delicada e suporte da pele; 
  • evitar “arrancar” curativo aderido; 
  • manter a pele limpa e seca, sem fricção agressiva. 

Incontinência e umidade: quando a pele “derrete” sem você perceber

Umidade contínua por urina/fezes é um dos grandes responsáveis de irritação e lesões, e também aumenta risco de lesão por pressão. Por isso, os protocolos enfatizam controle de umidade e cuidado com a pele como parte da prevenção.  

Rotina segura para cuidador

  • higiene após episódios de incontinência, com produtos adequados e secagem suave; 
  • troca de fraldas/absorventes no tempo certo; 
  • observar áreas de dobra (virilha, glúteos) e sacro diariamente. 

Sinais de alerta: quando chamar a equipe de saúde 

Procure orientação profissional se houver: 

  • dor crescente, calor local, aumento de vermelhidão ou inchaço; 
  • secreção purulenta, mau odor persistente (depois de troca adequada); 
  • febre ou piora geral junto com ferida; 
  • ferida que aumenta rapidamente ou pele que “abre” em áreas de pressão; 
  • qualquer dúvida sobre técnica, material ou evolução. 

Isso se conecta diretamente ao objetivo de segurança do paciente e prevenção de complicações descrito em protocolos de lesão por pressão e de cuidado com feridas. 

Registro e continuidade 

Se a pessoa está em cuidado domiciliar com apoio de enfermagem, registrar evolução ajuda muito: tamanho, aspecto, exsudato, dor, pele ao redor e condutas orientadas. 

O Cofen destaca que registros de enfermagem são essenciais para comunicação segura e avaliação da assistência.  

Para cuidadores/familiares, um “registro simples” (data, foto quando autorizado, mudanças percebidas, troca do curativo e sinais) já facilita muito o acompanhamento. 

Conclusão 

Cuidar de curativos e pele frágil em idosos e acamados é, na essência, uma combinação de três pilares: 

  1. Prevenção (especialmente de lesão por pressão), com alívio de pressão, controle de umidade e rotina organizada, conforme protocolos nacionais.  
  1. Técnica e proteção da pele (higiene das mãos, troca cuidadosa, proteção peri-lesional contra maceração).  
  1. Apoio profissional e sinais de alerta, para não transformar um problema pequeno em um grande. 

No home care, o objetivo não é “virar especialista em curativos”, mas ter uma rotina segura, saber o que observar e buscar ajuda no tempo certo. 

Fontes  

ANVISA — Nota Técnica GVIMS/GGTES nº 05/2023: práticas de segurança do paciente na prevenção de lesão por pressão (PDF) 
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/notas-tecnicas/notas-tecnicas-vigentes/nota-tecnica-gvims-ggtes-anvisa-no-05-2023-praticas-de-seguranca-do-paciente-em-servicos-de-saude-prevencao-de-lesao-por-pressao 
 
ANVISA / PNSP — Protocolo para prevenção de úlcera por pressão (página com PDF; atualizado em 01/03/2021) 
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/protocolo-de-ulcera-por-pressao/view 
 
Proqualis/Fiocruz — Protocolo para prevenção de úlcera por pressão (2013) 
https://proqualis.fiocruz.br/protocolo/protocolo-para-prevencao-de-ulcera-por-pressao 
 
Ministério da Saúde — Manual “Higienização das mãos em serviços de saúde” (PDF) 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/seguranca_paciente_servicos_saude_higienizacao_maos.pdf 
 
Manual brasileiro — Manual de Padronização/Protocolo de Feridas e Curativos (PDF; inclui seleção de cobertura por exsudato e proteção da pele peri-lesional) 
https://docs.bvsalud.org/biblioref/2021/04/1152129/manual_protocoloferidasmarco2021_digital_.pdf 
 
COFEN — Guia de Recomendações para Registro de Enfermagem (PDF) 
https://www.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2016/08/Guia-de-Recomenda%C3%A7%C3%B5es-CTLN-Vers%C3%A3o-Web.pdf 
 
Ministério da Saúde — Guia de cuidados para a pessoa idosa (PDF) 
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_cuidados_pessoa_idosa.pdf 

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