Março costuma ganhar duas cores importantes na saúde: o Lilás, ligado à conscientização sobre o câncer do colo do útero, e o Azul-Marinho, associado ao câncer colorretal (intestino). Essas campanhas não existem para “criar medo”, elas existem para organizar informação e estimular o que realmente muda desfechos: prevenção, detecção precoce, acesso ao cuidado e continuidade.
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Março Lilás: câncer do colo do útero e o que realmente previne
O câncer do colo do útero está fortemente relacionado à infecção persistente por HPV (papilomavírus humano). Por isso, as ações com melhor base em saúde pública costumam se apoiar em dois pilares: vacinação contra HPV e rastreamento (quando indicado), além do acesso ao diagnóstico e tratamento oportunos.
Rastreamento no Brasil: onde buscar a referência certa
O INCA mantém publicação de referência sobre rastreamento do câncer do colo do útero, com recomendações e diretrizes clínicas alinhadas à Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer. Além disso, o Ministério da Saúde disponibiliza a Diretriz Brasileira (PCDT) para rastreamento do câncer do colo do útero, com atualização registrada em 18/08/2025, indicando o status de documento vigente e oficialmente publicado.
Como usar isso na prática (para profissionais e clínicas): ao produzir conteúdo, orientar pacientes ou revisar fluxos internos, o caminho mais seguro é seguir o que está normatizado nessas diretrizes (INCA/MS) e nos protocolos da rede local.
O que o Março Lilás quer que você faça
A comunicação oficial sobre o Março Lilás reforça a conscientização e prevenção do câncer do colo do útero. Em termos de rotina assistencial, isso normalmente se traduz em:
estimular busca ativa e organização do rastreamento conforme diretriz vigente;
reforçar educação em saúde sobre HPV, sinais de alerta e acesso à unidade;
reduzir barreiras de acesso (horários, acolhimento, fluxo de encaminhamento).
Março Azul-Marinho: câncer colorretal e o que entra em “detecção precoce”
O câncer colorretal pode se beneficiar de estratégias de diagnóstico precoce (avaliar sinais e sintomas) e, em grupos específicos, de rastreamento. O INCA explica essa diferença de forma direta:
diagnóstico precoce: abordagem de pessoas com sinais e/ou sintomas;
rastreamento: exame em população-alvo assintomática para identificar lesões precursoras ou câncer e encaminhar casos alterados.
Sinais e sintomas: quando investigar sem esperar “passar”
O INCA lista sinais e sintomas mais comuns cuja investigação deve ser considerada para diagnóstico precoce de câncer de intestino, incluindo: hemorragia digestiva baixa, massa abdominal, dor abdominal, perda de peso e anemia, mudança do hábito intestinal.
Rastreamento: quem é o público-alvo segundo referência nacional
O INCA descreve que exames para detecção podem ser usados como rastreamento em pessoas sem sinais e sintomas, mas pertencentes a grupos de médio risco (pessoas com 50 anos ou mais) e alto risco (história pessoal/familiar, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes genéticas como Lynch).
Quanto aos métodos, o INCA aponta dois principais exames para detecção precoce de tumores de cólon e reto:
pesquisa de sangue oculto nas fezes;
endoscopias (colonoscopia ou retossigmoidoscopia).
A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde (BVS/MS), em material sobre campanha do câncer de intestino, também discute diferenças de recomendações por idade em diferentes contextos, observando que no Brasil o rastreio é direcionado para a faixa dos50 anos.
Um “mapa de ação” para clínicas e profissionais em março
Um roteiro prático, alinhado a diretrizes nacionais:
1. Para Março Lilás (colo do útero)
Reforçar acolhimento e agenda para rastreamento conforme diretriz vigente do MS/INCA.
Revisar fluxo interno: coleta, registro, busca ativa de faltosas, retorno e encaminhamento.
Produzir educação em saúde com foco em direitos, autonomia e acesso, evitando culpabilização.
2. Para Março Azul-Marinho (intestino)
Orientar sinais de alerta e facilitar acesso para avaliação clínica quando houver suspeita.
Para grupos elegíveis, reforçar rastreamento e fluxo de confirmação diagnóstica conforme organização da rede e recomendações nacionais.
Padronizar comunicação para reduzir pânico e aumentar adesão (explicar o que é rastrear, o que significa um teste positivo e quais são os próximos passos).
O que evitar em campanhas
Alguns erros são clássicos:
Prometer prevenção total: não existe “garantia”, existe redução de risco e detecção mais precoce.
Apostar em “dicas” sem base: suplementos, chás, “limpezas” e afins não substituem prevenção e fluxo assistencial.
Confundir rastreamento com diagnóstico: rastreamento é para assintomáticos em grupo-alvo; sintomas pedem avaliação clínica e investigação direcionada.
Ignorar diretrizes brasileiras: para blog e orientação em serviço, o referencial deve ser INCA/Ministério da Saúde e protocolos locais.
Conclusão
Março Lilás e Março Azul-Marinho são dois convites para fazer o que a saúde pública sabe que funciona: organizar rastreamento quando indicado, reconhecer sinais de alerta, reduzir barreiras de acesso e garantir continuidade do cuidado.
Para o colo do útero, o Brasil tem diretrizes publicadas e atualizadas pelo INCA e pelo Ministério da Saúde. Para o câncer colorretal, o INCA descreve com clareza a diferença entre diagnóstico precoce e rastreamento, os sinais e sintomas que merecem investigação e os principais exames utilizados.
Campanha eficiente não é só comunicação. É fluxo bem feito, e isso é algo que enfermagem, medicina e clínicas conseguem transformar em prática com impacto real.
Pós-graduada em Marketing Digital pela PUC Minas, atua desde 2020 no setor da saúde, desenvolvendo estratégias de comunicação e produzindo conteúdos relevantes e confiáveis para a área.
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