Saúde cardiovascular: 7 cuidados importantes

Saúde cardiovascular: 7 cuidados importantes

Cuidar da saúde cardiovascular não deve começar apenas quando surge um problema. Grande parte dos fatores associados às doenças do coração e dos vasos sanguíneos está relacionada a hábitos e condições que podem ser acompanhados ao longo da vida, como alimentação, atividade física, pressão arterial, colesterol, diabetes e tabagismo. 

As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo. Entre elas estão o infarto do miocárdio, o acidente vascular cerebral (AVC), a insuficiência cardíaca e outras condições que comprometem o coração e a circulação. 

Embora fatores como idade e histórico familiar não possam ser modificados, muitos riscos podem ser reduzidos com prevenção e acompanhamento adequado. 

A seguir, conheça 7 cuidados importantes para a saúde cardiovascular e saiba como incorporá-los à rotina. 

1. Mantenha uma alimentação equilibrada 

A alimentação tem relação direta com diferentes fatores de risco cardiovascular, incluindo pressão arterial, colesterol, diabetes e excesso de peso. 

Uma rotina alimentar equilibrada deve priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como: 

  • Frutas; 
  • Verduras e legumes; 
  • Feijões e outras leguminosas; 
  • Cereais integrais; 
  • Castanhas e sementes; 
  • Carnes magras; 
  • Peixes. 

Ao mesmo tempo, é importante moderar o consumo de alimentos ultraprocessados, que frequentemente apresentam grandes quantidades de sódio, açúcares adicionados e gorduras. 

Outro cuidado importante é reduzir o excesso de sal. O consumo elevado de sódio está relacionado ao aumento da pressão arterial, um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. 

Mais do que eliminar um alimento específico, o objetivo deve ser construir um padrão alimentar equilibrado e sustentável ao longo do tempo. 

2. Pratique atividade física regularmente 

Movimentar o corpo é uma das principais estratégias para cuidar do coração. 

A atividade física regular contribui para melhorar a circulação, controlar a pressão arterial, auxiliar na manutenção do peso corporal e reduzir o risco de diferentes doenças crônicas. 

A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos realizem pelo menos 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada por semana, ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana. 

Caminhada, corrida, ciclismo, natação e dança são algumas possibilidades. 

Quem está sedentário não precisa começar com atividades intensas. Incorporar pequenas mudanças à rotina, como caminhar mais e diminuir os períodos prolongados sentado, já representa um primeiro passo. 

Pessoas com doenças cardiovasculares, limitações físicas ou outras condições de saúde devem conversar com um profissional antes de iniciar ou modificar significativamente sua rotina de exercícios. 

3. Acompanhe a pressão arterial 

A hipertensão arterial é um importante fator de risco para infarto, AVC, insuficiência cardíaca e doença renal. 

Um dos desafios é que a pressão alta muitas vezes não apresenta sintomas. Por isso, não é adequado esperar por dor de cabeça, tontura ou mal-estar para verificar a pressão. 

A aferição periódica permite identificar alterações e acompanhar pessoas que já possuem diagnóstico de hipertensão. 

Quando a medição é realizada em casa, alguns cuidados ajudam a obter resultados mais confiáveis: 

  • Repousar alguns minutos antes da aferição; 
  • Permanecer sentado e com as costas apoiadas; 
  • Manter os pés apoiados no chão; 
  • Utilizar manguito de tamanho adequado; 
  • Apoiar o braço na altura do coração; 
  • Evitar conversar durante a medição; 
  • Seguir corretamente as instruções do aparelho. 

Para monitoramento domiciliar, é importante utilizar equipamentos adequados e seguir a orientação do profissional de saúde sobre frequência e interpretação dos resultados. 

Uma medição isolada não deve ser utilizada para realizar diagnóstico ou alterar medicamentos por conta própria. 

4. Acompanhe colesterol e glicemia 

Colesterol elevado e diabetes também estão relacionados ao aumento do risco cardiovascular. 

O excesso de colesterol LDL pode favorecer a formação de placas nas paredes das artérias, processo conhecido como aterosclerose. Com o passar do tempo, essas placas podem dificultar a circulação sanguínea e aumentar o risco de eventos como infarto e AVC. 

O diabetes, especialmente quando não está adequadamente controlado, também pode danificar os vasos sanguíneos e aumentar o risco de doenças cardiovasculares. 

O problema é que tanto alterações do colesterol quanto da glicemia podem permanecer silenciosas por bastante tempo. 

Por isso, exames preventivos são importantes mesmo para quem se sente bem. 

A necessidade e a frequência dos exames devem ser definidas individualmente pelo profissional de saúde, considerando idade, histórico familiar, hábitos e outros fatores de risco. 

5. Não fume e evite a exposição ao tabaco 

O tabagismo está diretamente relacionado às doenças cardiovasculares. 

As substâncias presentes no cigarro podem danificar os vasos sanguíneos, favorecer a formação de placas e coágulos e aumentar o risco de infarto e AVC. 

Não existe uma quantidade de cigarro considerada segura para a saúde cardiovascular. 

Além disso, pessoas que não fumam também devem evitar a exposição frequente à fumaça do tabaco. 

Parar de fumar pode ser difícil devido à dependência de nicotina, mas existem estratégias e tratamentos que aumentam as chances de sucesso. 

Quem deseja abandonar o cigarro pode buscar orientação nas unidades de saúde e conversar com profissionais capacitados para encontrar a abordagem mais adequada. 

6. Cuide do sono e do estresse 

Saúde cardiovascular também envolve descanso e bem-estar. 

Dormir de forma insuficiente ou inadequada pode estar associado a alterações metabólicas e cardiovasculares. Por isso, manter uma rotina regular de sono faz parte dos hábitos de cuidado com a saúde. 

Algumas medidas podem ajudar: 

  • Manter horários relativamente regulares para dormir e acordar; 
  • Criar um ambiente confortável para o sono; 
  • Reduzir estímulos próximos ao horário de dormir; 
  • Evitar excesso de cafeína no período noturno; 
  • Buscar avaliação quando houver ronco intenso, pausas respiratórias ou sonolência excessiva durante o dia. 

O estresse também merece atenção. Situações estressantes fazem parte da vida, mas quando se tornam constantes podem contribuir para hábitos prejudiciais, como sedentarismo, alimentação inadequada, consumo excessivo de álcool e tabagismo. 

Atividade física, momentos de lazer, descanso e apoio social são algumas estratégias que podem ajudar a administrar melhor a rotina. 

7. Faça acompanhamento preventivo da saúde 

Não sentir sintomas não significa necessariamente que todos os indicadores cardiovasculares estejam adequados. 

Hipertensão, colesterol elevado e diabetes podem evoluir silenciosamente. 

Por isso, consultas periódicas ajudam a avaliar fatores como: 

  • Pressão arterial; 
  • Colesterol e triglicerídeos; 
  • Glicemia; 
  • Peso e composição corporal; 
  • Histórico familiar; 
  • Tabagismo; 
  • Alimentação; 
  • Nível de atividade física. 

Dependendo do perfil individual, o profissional poderá solicitar exames complementares

O acompanhamento é ainda mais importante para pessoas com histórico familiar de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade ou outros fatores de risco. 

Quais equipamentos podem ajudar no acompanhamento em casa? 

Alguns equipamentos permitem acompanhar determinados indicadores entre as consultas, especialmente quando existe orientação profissional. 

Entre eles estão: 

Aparelho de pressão 

Pode ser utilizado para acompanhar a pressão arterial de pessoas com hipertensão ou que receberam indicação de monitoramento domiciliar. 

É importante escolher um aparelho adequado, utilizar o manguito correto e seguir as orientações de medição. 

Glicosímetro 

Permite medir a glicemia capilar e é utilizado principalmente por pessoas com diabetes que necessitam desse acompanhamento. 

A frequência das medições deve seguir o plano estabelecido pela equipe de saúde. 

Balança 

O acompanhamento do peso pode fazer parte da avaliação da saúde metabólica e cardiovascular. 

Em algumas condições, como determinados casos de insuficiência cardíaca, alterações rápidas de peso também podem ser clinicamente relevantes e devem ser acompanhadas conforme orientação médica. 

Esses equipamentos são ferramentas de monitoramento e não substituem consultas, exames ou avaliação profissional

Quais são os principais fatores de risco cardiovascular? 

Os fatores de risco podem ser divididos entre modificáveis e não modificáveis. 

Entre aqueles que podem ser controlados ou modificados estão: 

  • Hipertensão; 
  • Colesterol elevado; 
  • Diabetes; 
  • Tabagismo; 
  • Sedentarismo; 
  • Alimentação inadequada; 
  • Excesso de peso. 

Já idade, características genéticas e histórico familiar não podem ser modificados. 

Conhecer esses fatores ajuda o profissional de saúde a estimar o risco individual e definir quais estratégias preventivas merecem maior atenção. 

Quais sinais podem indicar uma emergência cardiovascular? 

Alguns sintomas exigem atendimento imediato. 

Entre os principais sinais de alerta estão: 

  • Dor ou desconforto intenso no peito; 
  • Sensação de pressão ou aperto no tórax; 
  • Falta de ar importante; 
  • Desmaio ou perda de consciência; 
  • Fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo; 
  • Alteração repentina da fala; 
  • Assimetria facial; 
  • Confusão mental súbita. 

Diante de sinais compatíveis com infarto ou AVC, não espere os sintomas desaparecerem e não tente resolver a situação apenas em casa. O atendimento rápido pode fazer diferença no prognóstico. 

Perguntas frequentes sobre saúde cardiovascular 

Como cuidar da saúde cardiovascular no dia a dia? 

Uma rotina cardiovascular saudável combina alimentação equilibrada, atividade física, controle da pressão, acompanhamento do colesterol e da glicemia, ausência de tabagismo, sono adequado e consultas preventivas. 

Quem não tem problema cardíaco precisa medir a pressão? 

Sim, a pressão arterial deve ser verificada periodicamente mesmo em pessoas sem diagnóstico de hipertensão, já que a condição frequentemente não apresenta sintomas. 

Colesterol alto dá sintomas? 

Na maioria das vezes, não. O colesterol elevado pode permanecer silencioso durante anos, por isso exames laboratoriais são importantes para identificá-lo. 

É possível prevenir doenças cardiovasculares? 

Nem todos os casos podem ser evitados, já que fatores genéticos e idade também influenciam o risco. Entretanto, controlar fatores modificáveis pode reduzir significativamente a probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares. 

Preciso ter aparelho de pressão em casa? 

Nem todas as pessoas precisam monitorar a pressão diariamente. Para quem possui hipertensão ou recebeu indicação de acompanhamento domiciliar, o equipamento pode ser uma ferramenta importante. A frequência deve ser definida pelo profissional responsável. 

Pequenos hábitos ajudam a proteger o coração 

Cuidar da saúde cardiovascular não depende de uma única atitude. É a combinação de diferentes hábitos ao longo do tempo que contribui para reduzir fatores de risco e preservar o funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos. 

Alimentação equilibrada, movimento, acompanhamento da pressão arterial, controle do colesterol e da glicemia, abandono do tabagismo, sono adequado e consultas preventivas formam uma rotina de cuidado que pode começar em qualquer fase da vida. 

Conhecer seus próprios fatores de risco também é importante. Com informação, acompanhamento profissional e os recursos adequados para monitorar a saúde quando necessário, a prevenção passa a fazer parte do dia a dia. 

Fontes 

  • Ministério da Saúde — Hipertensão arterial: 

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hipertensao

  • Ministério da Saúde — Doenças cardiovasculares: 

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/doencas-cardiovasculares

  • Sociedade Brasileira de Cardiologia: 

https://www.portal.cardiol.br

  • Organização Mundial da Saúde — Cardiovascular diseases: 

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/cardiovascular-diseases-(cvds)

  • Organização Mundial da Saúde — Physical activity: 

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/physical-activity

  • Organização Pan-Americana da Saúde — Doenças cardiovasculares: 

https://www.paho.org/pt/topicos/doencas-cardiovasculares

Leia também: